Cinco irmãos e cada um com gênio diferente do outro: Meu segundo irmão era levado, o terceiro era calado, o quarto era diferente de todos nós, era danado, malcriado e ruim e o quinto era calmo e até me chamava de mãe, por eu ter tratado dele desde bebê. Enquanto os meninos de minha idade brincavam, jogavam bola, pião, pipas e outras brincadeiras, eu ficava em casa, cozinhava, lavava roupas, arrumava a casa e era chamado de maricas e outros adjetivos maus. A casa consistia em um quarto grande onde dormia todos nós (7) e um cozinha e banheiro no quintal tudo construído de madeira, cozinhava em um fogão à carvão.
E como ia dizendo tinha dois que não me davam paz mas, as nossas vidas caminhava mais ou menos, a mãe trabalhava na quitanda de uns japoneses e todas as noites depois de dar banho nos meus irmãos, íamos na quitanda buscar ela, pois após os serviços domésticos a mesma tinha que ir para a quitanda ajudar a secar e mudar de caixas os tomates e legumes para que não estragassem, e nós ficávamos as vezes até a 01:00 Hra. da madrugada na rua a espera dela.
Depois desse trabalho ela arrumou na casa do pai de um ex prefeito de Santos e foi trabalhar lá, e a nossa vida continuava dois irmãos sossegados e dois dando trabalho, tanto que por causa do meu quarto irmão um cachorro que nós tínhamos assustado com o barulho dele, o bicho se soltou e quase me matou a mordidas, meu braço direito ficou todo mordido, pois ele queria pegar meu pescoço e eu me defendia com o braço, até que um moço entrou em nosso quintal e com um cabo de enxada conseguiu fazer com que o cachorro me largasse, fui ao pronto socorro, levei vários pontos no braço e tomei injeção.
Após esta passagem a mãe pensando em facilitar minha vida, resolveu internar meu irmão em um asilo,uma vez que o patrão dela era presidente de um, e o segundo ela passou a levar com ela para o trabalho. A paz durou pouco, pois o irmão que estava no asilo virou saco de pancadas dos outros meninos que lá estava internados e para protege-lo a mãe internou o terceiro irmão, coisa que o deixou muito revoltado e com um ódio da mãe que ele carregou por muitos anos. O segundo irmão começou a roubar a patroa e os vizinhos e ela teve que deixar ele em cas e ainda pagar o que ele roubou.
Levamos esta vida cheia de altos e baixos até eu conseguir meu primeiro emprêgo e começar a ajudar minha mãe nas despesas de casa, inclusive o primeiro fogão à gaz que a mãe teve fui eu que dei pra ela.
(CONTINUA)
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