terça-feira, 5 de agosto de 2014

ESTRANHO AMOR. (PARTE 02)

Na parte dois de meu estranho amor, vou falar de minha infância até aos 16 anos quando a minha vida deu uma virada.
De 0 aos 06 anos lembro pouco ou quase nada deste tempo mas, segundo a minha mãe nossa vida era boa e não tínhamos problema algum até o nascimento de meu quinto irmão, quando então meu pai deu uma quinada e abandonou a família ao Deus dará, ele não saiu de casa mas não ligava mais para a mulher e os filhos nos deixando inclusive passar fome. Foi quando eu passei a ser a filha que minha mãe não teve, pois ela saiu para trabalhar fora e como não tinha ninguém para nos deixar e muito menos pagar para alguma pessoa nos olhar. Eu passei a estudar e tomar conta de meus irmãos, fazia comida, arrumava a casa, lavava roupa e cuidava de meu irmão recém nascido tanto que o mesmo até os dois anos de idade me chamava de mãe. Esta fase da vida durou pelo menos uns cinco ou seis anos, não me recordo bem.
Antes de minha mãe sair de casa para trabalhar ela tentou suprir as nossas necessidades trabalhando em casa, então abriu uma pensão para servir almoço a uns carroceiros que trabalhavam no aterro da rua em que morávamos pois o rio que hoje está no fim da rua vinha até quase o meio da rua mas, voltando a pensão: A mãe comprou fiado nas mercearias e quitandas e começou a fazer comida para os carroceiros e acreditem foi a maior roubada, para nós seus filhos foi bom pois deixamos de passar fome, mas em compensação a mãe tomou muitos calotes e ficou cheia de dívidas com os comerciantes do bairro. 
Conseguiu neste período fazer com que eu terminasse meus estudos e até tirar um diploma de datilografia, fazia faxinas e também tomou alguns calotes de uns pobres metidos a ricos que moravam no bairro, tendo uma inclusive dito para uma visita que ela tinha em casa, que minha mãe era uma mendiga que ela ajudava. Então a mãe arrumou um trabalho em uma quitanda de uns japoneses na avenida e foi assim que eu passei a ser definitivamente a menina que a mãe não teve e comecei a tomar conta de meus irmãos de vez. 
A minha labuta com meus irmãos contarei mais adiante, pois sinceramente cortei um doze com eles, nós eramos em cinco, sendo que eu era o mais velho.
(CONTINUA).

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